Análise de Produção Animação

Análise de Produção: Blue Reflection Ray — Episódio 2

©J.C Staff/Koei Tecmo

O segundo episódio de Blue Reflection Ray foi terceirizado, e isso contribuiu para uma melhor compreensão do escopo dessa produção. Entre coisas boas e coisas não tão boas assim, vejamos como o episódio se saiu.

Staff
  • Storyboard: Kunihisa Sugishima (杉島邦久)
  • Direção de Episódio: Chihiro Kumano (熊野千尋)
  • Supervisor-Chefe de Animação: Masaki Tanigawa (谷川政輝)
  • Supervisores de Animação: Shinya Nogami (野上慎也) e Aya Nasuno (那須野文)
  • Cooperação na Produção: Magic Bus

(Caso queiram ver a staff completa do episódio, é só acessar essa planilha aqui, feita pelo autor deste artigo)

Direção

O responsável pelo storyboard desse episódio foi o Kunihisa Sugishima, diretor veterano conhecido por ter sido o diretor de Yu-Gi-Oh! Duel Monsters e da saga Metal de Beyblade — existe uma boa possibilidade de você que está lendo tenha assistido a algum de seus animes na infância. Muito provavelmente ele veio pelo projeto pelo contato do produtor de animação Koji Okada (岡田耕二), tendo em vista que Sugishima já havia elaborado storyboards também para Skate-Leading Stars na temporada passada, outro anime da J.C. Staff que teve o Okada como produtor de animação.

Assim como a diretora Risako Yoshida fez no episódio anterior, Sugishima fez juz à sua vasta experiência ao elaborar um storyboard eficiente, mas também não muito ousado. A ideia visual dele que mais se destacou no episódio foi nesse quadro aqui, em que ele lucidamente posiciona as duas personagens bem distantes uma da outra enquanto conversam, e isso fica bem destacado no enquadramento escolhido. Dessa forma, a caracterização narrativa das duas de terem problemas sociais e de comunicação é bastante reforçada visualmente.

©J.C Staff/Koei Tecmo

O diretor do episódio responsável por assegurar que as ideias de Sugishima fossem passadas para a tela foi Chihiro Kumano, do estúdio Magic Bus, e é aí que chega o ponto principal do episódio.

Terceirização

Isso é algo comum nas produções da J.C. Staff, mas o segundo episódio de Blue Reflection Ray foi terceirizado para o estúdio Magic Bus. Já explicamos aqui no site o que exatamente isso significa. Pois bem, o Magic Bus é um estúdio bem tradicional e com bastante gente experiente, como é o caso da line-up deles nesse episódio.

O problema é que, como a maioria de estúdios de terceirização, eles são bem ocupados e produzem episódios para vários animes. Isso foi bem sentido nesse episódio, em que apesar de ter ficado até OK na maior parte do tempo, notavelmente tivemos alguns frames estáticos que não foram corrigidos a tempo, resultando em algo não muito agradável esteticamente. Além disso, todas as correções foram feitas por in-houses de lá, ou seja, não tivemos a ótima participação do designer Kikuta como no primeiro episódio. Ou ele vai aparecer só em episódios feitos na J.C. ou ele não vai ser tão ativo na produção do anime, o que seria uma pena.

Outra coisa que indica que a produção desse episódio estava meio apertada é a clara falta de in-betweens em algumas cenas, como nesses alongamentos abaixo. Dá pra notar que mais alguns frames deveriam ter sido adicionados para o movimento fluir naturalmente.

Transformação

A parte boa desse episódio em termos de produção foi a possibilidade de ver a sequência de transformação completa da protagonista, que havia sido mostrada apenas parcialmente no episódio 1. Dessa forma, pudemos presenciar de forma ideal a habilidade do animador Kosuke Yoshida, que, como destacado semana passada, já havia animado esse tipo de cena em Precure e Twin Angel Break. Então é compreensível seu bom uso de efeitos em transformações de Mahou Shoujo. Seria legal se ele continuasse como regular de transformações durante toda a extensão do anime.

Por sinal, o post da semana passada pode ter dado a entender que esses cortes que vem antes da transformação e apresentam animação de cabelos digna de Hironori Tanaka e efeitos fluidos também são do Yoshida, mas na realidade são do insaciável Madman Kenichiro Aoki mesmo.

Opening

A abertura do anime marcou o retorno da Shiena Nishizawa (EXiNA) em Anisongs (desde Asterisk ela não dava as caras), e como esperado dela, é uma música muito boa e energética. A verdade é que o objetivo dessas análises de produção não é falar de música, mas peço licença pra esse parêntesis porque eu gosto muito da cantora, haha (VÃO OUVIR A ABERTURA IMEDIATAMENTE).

Mas enfim, o visual foi elaborado e dirigido por Ryo Ando (安藤良), bom diretor conhecido por seu trabalho em Demi-chan wa Kataritai. Sua abordagem aqui foi de fazer apresentações de personagens com o auxílio da chamada linguagem das flores (Hanakotoba -花言葉- em japonês), em que cada flor representa uma metáfora para a personalidade e ações de cada uma das garotas principais. Em seguida, ele decidiu fazer apresentações mais convencionais com o auxílio de transições em caleidoscópio, chegando no clímax com uma boa cena de ação animada pelo Kosuke Yoshida e pelo Jun Nakai (中井準), animador conhecido principalmente por seus trabalhos como designer de personagens em animes da A-1 Pictures como Gate e Gin no Saji. Nakai muito provavelmente veio ajudar a chamado do Ryo Ando, que também trabalha bastante com a A-1.

Ending

A coisa que eu mais gosto do trabalho da Risako Yoshida são suas endings. Eu conheço poucos outros profissionais que conseguem fazer endings “ortodoxas” — que é como eu chamo os show-offs de imagens majoritariamente estáticas com musiquinha triste no fundo — que funcionam tão bem quanto as dela.  Assim como em Mahouka 2 e Lostorage Conflated WIXOSS, ela conseguiu passar na de Blue Reflection Ray o ar contemplativo exigido pela música de forma impecável, contando dessa vez com as belas pinturas no início e as belas correções do Kikuta no final.

Despeço-me indicando que vejam a ending. Espero que a produção disso não se desencarrilhe muito daqui pra frente, afinal episódios terceirizados um pouco mais fracos são algo normal na indústria. O foco da minha análise não é bem na história, mas eu particularmente até vejo potencial nela, e espero que a tratem bem — e ter o Kikuta e o Yoshida em mais alguns episódios já seria um bom começo.

Blue Reflection Ray está em simulcast pelo serviço de streaming Funimation.
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