Análises Editorial

Análise: Cossette no Shouzou

©Daume
Cossette no Shouzou – descrição técnica

Diretor: Akiyuki Shinbou
Estúdio: Daume
Número de episódios: 3
Composição de série: Mayori Sekijima
Adaptado de: nenhum material (OVA original)
Gênero(s): terror, suspense

Akiyuki Shinbou (新房昭之) é um dos diretores mais conhecidos entre os fãs de anime. Não é pra menos, já que ele foi creditado como líder em boa parte das obras que o estúdio Shaft lançou nas últimas duas décadas, conhecidas por suas individualidades visuais inconfundíveis.

©Shaft/Nisio Isin | “Pescoço da Shaft”

No entanto, como alguns já estão cientes, ele não dirige animes diretamente há mais de 10 anos (!). O papel dele virou basicamente de um supervisor que trata de manter a identidade visual única do estúdio, enquanto outros diretores colocavam a mão na massa.

Então, o fato de que o Shinbou é um diretor bom seria um mito? Olha, eu garanto que não. Essas OVAs de Cossette no Shouzou (2004) servem pra demonstrar isso. Elas são fruto da “direção pura” do Shinbou, que, como vocês verão, não deixa a desejar.

Primeiro ponto

O enredo se trata basicamente de um cara que encontra uma taça de vidro francesa. Através dela, ele consegue observar uma menina do século XVIII chamada Cossette (que por sinal é o nome de uma personagem de Os Miseráveis).

Uma das virtudes essenciais de uma boa direção é, na minha visão, saber utilizar o visual para dar o melhor suporte possível ao texto. Podemos notar isso de cara com a escolha de narrativa visual mais presente no anime: o vidro.

©Daume

Como o protagonista Eiri observa a Cossette pelo vidro, o Shinbou decidiu fazer com que nós mesmos fizéssemos o mesmo com o anime (e de certa forma estamos, literalmente). Para isso, ele executa o tempo todo storyboards voyeurísticos com diversos tipos de vidro em primeiro plano.

©Daume
Segundo ponto

Além disso, algumas marcas suas que costumo chamar de “Shinboísmos” ou “Shaftismos” já estavam presentes. Uma delas é a utilização intensiva de cortes rápidos e dinâmicos focando em ângulos diferentes, além de, frequentemente, painéis abstratos.

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Algo interessante de se salientar é que dos motivos para isso é basicamente o fato de que o Shinbou é um mestre em gerenciar animação limitada. Ele consegue com isso driblar produções apertadas com cortes mais curtos ao mesmo tempo que enriquece o visual.

Para isso, ele também se utiliza de vários planos de detalhes focando o rosto, e aí que entra um novo “personagem” nessa história: Hirofumi Suzuki (鈴木博文), o Character Designer e Diretor de Animação do anime.

Ele é ninguém menos que o Character Designer de toda a franquia animada de Naruto. Cossette no Shouzou, aliás, é o único trabalho dele como CD fora de Naruto. Ele é um artista fenomenal, com muita noção de profundidade em seus desenhos, resultando em certas maravilhas.

©Daume | “Olha esse nível de noção de profundidade”

Isso casa perfeitamente com o amor dos storyboards do Shinbou pela face dos personagens. Cada close ganha destaque.

Prosseguindo

Em contraste com suas individualidades que se tornariam famosas futuramente, ele também trouxe pra Cosette coisas utilizadas intensivamente no seu The SoulTaker (2001), um anime visualmente full experimental, com o Shinbou fazendo todo tipo de escolha doida

E que coisas foram essas? Bom, basicamente uma tara por vitrais e símbolos do cristianismo, que combinam bem com a estética vitoriana que o anime tenta passar quando está acontecendo algo relacionado a Cossette. O protagonista virando monstro também lembra muito Soultaker.

©Daume
Conclusão

Já que entramos no mérito de cenários, devo destacar também o trabalho do experiente estúdio Easter com a arte dos backgrounds do anime. Eles conseguiram passar bem as ideias do Shinbo tanto nos ambientes modernos opressores quanto nos de época ou fantasiosos.

©Daume

A narrativa segue uma estrutura não linear, manipulando a ordem dos fatos. Nesse ponto eu vou ter uma pequena crítica, pois acho a transição de um momento para outro meio abrupta e pouco natural, além de não ser tão bem utilizada em favor do roteiro como, por exemplo, em Baccano.

Não chega a ser incompreensível, mas é meio confuso às vezes, mais do que seria a intenção. Pelo menos isso, aliado ao já extensamente explicado ótimo suporte da direção e bom uso da trilha sonora, dá um ar misterioso e sombrio bem legal ao anime.

©Daume

Ah, esse anime foi produzido no estúdio Daume. Não tive que falar nada dele antes porque… Bem… Não faz tanta diferença. O diretor é idiossincrático demais, já o estúdio, de menos. Tendo tudo isso em vista, posso dizer que essa obra é um prato cheio pra quem quiser ter uma ideia de como é a “direção verdadeira” do tão aclamado Shinbou.

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