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Anicafé indica: Tearmoon Teikoku Monogatari

©Mochitsuki Nozomu/Morino Mizu

Mangás históricos costumam chamar-me à atenção. Não só pela temática de época, com todo aquele glamour de reis e rainhas, como também por oferecer certas visões interessantes do passado. Tearmoon Teikoku Monogatari pode não ser exatamente uma enciclopédia de informações, mas traz uma história divertida, com uma protagonista carismática e um background que te deixa bem satisfeito de acompanhar.

Do trono à guilhotina

A história do mangá acompanha Mia, uma jovem princesa que, poucos anos depois de se tornar rainha, foi condenada a guilhotina por conta do seu completo descaso com a população, o que levou a uma revolução generalizada.

Após ter sua cabeça cortada, Mia acaba voltando no tempo e percebe que está no seu corpo de criança e que, além de se lembrar de tudo, ainda tem um diário cheio de anotações sobre seus últimos anos de vida.

Percebendo a oportunidade que lhe foi dada, Mia decide que irá usar seu diário e suas memórias para evitar sua execução, já que, naturalmente, não quer morrer.

A partir daí, a pequena garota começa suas estratégias para fugir da guilhotina e manter sua cabeça no lugar, literalmente.

Figura histórica

Uma das primeiras coisas que gostei no mangá foi ter uma certa referência histórica por trás da obra. Mia pode não ser o nome de uma rainha, e o país Tearmoon nem mesmo existe, mas eles fazem referencia a algo real.

Maria Antonieta foi uma das rainhas mais polêmicas da França, e meio que ela ganha vida através da Mia. As duas dividem o mesmo destino trágico (morte na guilhotina) e até mesmo usam a celebre frase “se não têm pão, que comam brioche/bolo”.

Ter esse tipo de relação histórica faz o mangá ser algo bem interessante, já que parece estar recontando um fato, mas de forma diferente.

Maria Antonieta pode ter sido odiada pelo povo, entretanto, e se ela tivesse essa mesma segunda chance? Será que teríamos uma história totalmente diferente?

Reiniciando do zero

Por mais que a mocinha não possa ficar repetindo o mesmo dia várias vezes como um certo alguém, essa única morte que ela tem é o bastante para ajudá-la.

A nova oportunidade que Mia consegue faz com que ela tenha que trabalhar muito para mudar. Contudo, o que mais me chamou a atenção nisso foi, justamente, ela não mudar de forma brusca.

A Mia ainda continua sendo, bem, a Mia. Ela ainda tem um ar soberbo, e a todo momento deixa claro que está fazendo aquilo pelo seu próprio bem, e não porque entendeu que era errado.

O autor consegue dosar essa personalidade egoísta muito bem. De uma forma que você não fica incomodado por perceber que ela não está se tornando boa (pelo menos não até onde eu li).

Isso ainda não significa que ela seja ruim, só que não se tornou outra pessoa.

Rainha cruel ou idiota ignorante?

Como acabei de comentar, Mia não é, em essência, uma pessoa ruim. Muitas de suas ações foram resultados de uma vida de ignorância.

A própria frase icônica é um bom exemplo disso, já que ela usa como uma resposta óbvia para o problema. “Se eu não tenho pão para comer, é só pegar uma fatia de bolo aqui”; demonstrando como não fazia ideia da fome que se espalhava pelo seu país.

Esse teor mais sério, digamos assim, é algo que ajuda bastante a construir o desenvolvimento de personagem dela, já que os dias que passou como prisioneira mostraram para ela a realidade do seu país.

A todo momento, o mangá faz essa ponte, mostrando os minutos finais da Mia, e como ela poderia ter sido uma governante melhor se tivesse percebido, entendido, ou descoberto os problemas a tempo.

Eu, particularmente, achei isso bem bacana, porque não banaliza o problema que ela criou no país para gerar piadas ou cenas cômicas, dando a devida importância para as coisas quando necessário.

O mangá ainda é, em boa parte, uma comédia, mas também trabalha o lado sério da história, desenvolvendo os problemas do país e como a Mia tem que superá-los.

Vale ressaltar também, que, em alguns casos, o desenvolvimento da história é dramático, gerando uma boa reflexão em cima da Mia que, querendo ou não, ainda está aprendendo sobre o mundinho fora do seu castelo.

Considerações finais

Tearmoon Teikoku Monogatari é um mangá simples, com um humor leve e uma proposta inusitada, lembrando em certos pontos Otome Game.

Entretanto, tem sua própria personalidade, carregando aspectos mais sérios e dramáticos, como fome, abuso de poder e até perseguições políticas.

Isso não significa que a obra é sombria/pesada. Apenas mostra que o autor consegue transitar entre esses dois pontos de forma natural, aproveitando para desenvolver a personagem através de situações mais sérias.

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