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Fruits Basket: a importância de uma boa construção de personagens

©TMS Entertainment/Takaya Natsuki

Como alguém que adora boas construções de personagem, decidi falar um pouco sobre uma obra que vem sendo quase que um modelo a ser seguido nesse quesito para mim: Fruits Basket.

O anime vem de duas temporadas, com 50 episódios ao todo, e me impressionou bastante na forma como conta sua história. Por isso achei que seria legal, não só apresentar a obra, como também discutir um pouco sobre os personagens.

Sinopse

O enredo gira em torno de Tohru, uma garota que perdeu sua mãe e foi forçada a morar em uma barraca por conta de problemas na sua antiga casa. Acreditando ter escolhido um terreno abandonado, Tohru se surpreende ao encontrar Yuki, um de seus colegas de classe, e descobrir que estava morando no terreno de sua casa.

Simpatizando com a situação de Tohru, o garoto oferecer abrigo para ela, mas um inesperado acidente faz com que Tohru descubra um segredo da família de Yuki. Ao serem abraçados pelo sexo oposto, eles se transformam em um animal do zodíaco chinês.

Sendo então uma das poucas a saber a verdade da família Souma, Tohru passa a morar com Yuki, e conhece muitos outros membros do zodíaco.

A sutileza do dia a dia

Como deve dar para imaginar pela sinopse, Fruits Basket  preza por apresentar o dia a dia dos personagens e a forma como eles levam a vida.

Assim como a maioria dos slice of life, o clima tranquilo e despreocupado é o que mais predomina na obra, mas aos poucos isso vai sendo trocado pelo drama.

Mesmo que sejam bem emotivos, esses dramas são trabalhados de forma simples, sem te fazer ficar cansado da choradeira ou desinteressado pelos problemas dos personagens, o que no final faz com que você termine os episódios com aquele misto de tristeza e felicidade, já que tudo é muito bem dirigido para te conquistar. Nesse ponto, entra o motivo do título desse texto.

Personagens vivos

Para o drama funcionar, é preciso fazer com que o público se importe com o que está vendo. Mesmo que existam alguns exemplos de dramas que se vendam sozinhos, quanto melhor estruturada a ideia, mais impacto as cenas terão no espectador.

O interessante disso tudo é que, por melhor estruturados, eu não quero dizer algo longo e cheio de informações, mas sim situações pontuais e bem usadas para tirar o melhor do personagem.

Fruits Basket se aproveita muito bem disso trazendo um elenco vivo, onde cada personagem tem seu tempo para ser trabalhado e apresentar um pouco da sua vida da forma que precisa.

Como a autora tem um mão ótima para escrever essas histórias, o resultado são episódios em que o simples fato de você conhecer o personagem já faz dele algo incrível.

Pode parecer exagero, mas alguns dos meus personagens favorito não tiveram um arco gigante com vários episódios. Eles simplesmente ganharam um destaque pontual, mostrando um pouco da sua visão sobre a vida, sobre o mundo em que vivem e do que esperam do futuro.

Esse tipo de toque sutil é algo que gosto bastante, porque representa bem como as coisas funcionam na realidade.

Ninguém vive uma novela mexicana cheia de dramas, mas isso não quer dizer que os seus problemas não sejam… Bem, problemas. Por mais que em comparação com outros possam ser pequenos, eles ainda são o seus problemas, e por isso incomodam.

Fruits Basket consegue transmitir esse sentimento de uma forma bem única, onde o amor platônico de uma figurante consegue ser tão pesado quanto o bullying e perseguição sofridos por um dos protagonistas, já que na vida de ambos isso é um dilema a ser superado a cada dia.

Construindo um mundo

Além disso, outra coisa que é bem agradável de se ver quando se encontra obras com boas construções de personagem, como é o caso de Fruits Basket, é a concepção do mundo em que a história se passada.

Mesmo a mitologia da obra não sendo abertamente explorada como em outros casos, você não sente que está faltando informações, porque os personagens transmitem elas através de quem são.

Os indivíduos de uma cidade ou país representam a cultura do lugar, e daria para dizer que a mesma coisa acontece quando se tem uma bom desenvolvimento de personagens.

É através dos detalhes do seu dia a dia que você entende como o mundo da obra funciona. Como as escolhas e rotinas criadas por cada uma tem uma influência indireta com a cultura do lugar.

Por exemplo, mesmo que não seja mostrado ou falado algo explicitamente sobre os antigos membros do zodíaco, você consegue perceber como era a vida dessas pessoas tomando como base a forma com que os atuais personagens são tratados, já que isso é algo cultural dentro da história.

Na verdade, a própria omissão dessa informação é outro indicio da construção do mundo da obra, já que os membros do zodíaco são uma espécie de tabu dentro da família Souma, e estar constantemente dividindo informações sobre eles seria um problema.

Considerações finais

Em resumo, além de poder apresentar um pouco de uma obra que certamente entrará para minha lista de favoritos, eu queria tentar mostrar um pouco de como desenvolver os personagens pode ser algo que enriquece ainda mais as histórias, criando detalhes de forma que tudo fica mais divertido de acompanhar.

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