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Dead Dead Demon’s Dededede Destruction: conheça um pouco mais

©Asano Inio/Big Comic Spirits

Inio Asano é um autor conhecido por trazer obras bem únicas, seja pela forma como representa os personagens ou pelo modo como aborda certos temas.

Dead Dead Demon’s Dededede Destruction é sua nova empreitada e, já adianto que, assim como os demais mangás do autor, carrega uma perspectiva única sobre o mundo.

Se você, assim como eu, gosta desse tipo de obra e é fã do autor, vale muito a pena conferir essa nova pérola.

A vida em uma invasão alienígena

A história de Dead Dead Demon’s acompanha Kadode e Ouran, duas jovens que querem apenas viver suas vidas como qualquer outra pessoa.

Entretanto, o súbito aparecimento de naves alienígenas no Japão faz com que tudo isso mude… ou pelo menos era o esperado. Entretanto, em verdade, pouca coisa foi alterada.

Mesmo com uma enorme nave-mãe sobre Tóquio, a maior preocupação das garotas ainda continua sendo tirar boas notas nas provas e conseguir entrar para a faculdade.

Em cima dessa premissa, o mangá começa a desenvolver pouco a pouco a vida das personagens após esses eventos “pós-apocalípticos”. Um mangá ambientalizado em meio a uma invasão alienígena, mas que ninguém sabe o porquê ou quando vai acabar.

A normalidade de um mundo incomum

Uma das grandes sacadas do mangá está na forma como ele aborda o cotidiano das duas garotas. Dentre tudo que já li do autor, Dead Dead Demon’s é de longe a mais pé no chão.

Ainda existe bastante das características do autor, mas aquele tom depressivo e pessimista é quase inexistente.

Isso tem um motivo muito bom dentro da narrativa, já que a ideia base da obra é criticar a normalidade e a alienação aos problemas externos.

A Ouran é mais doidinha e cheia de teorias da conspiração, já a Kadode é o perfeito exemplo de personagem de slice of life. Kadode sonha, brinca, se apaixona, têm medos, esperanças, fica irritada e leva a vida da forma que pode.

Isso cria um constante contrastante no ambiente da obra, onde você fica o tempo todo sendo lembrado que existem alienígenas ali, naquele mundo aparentemente comum.

Por mais que tenham sido três anos de convívio com a presença da nave, é muito curioso ver como os personagens se adaptaram aquilo.

É impossível não acabar relacionando com o que passamos com a pandemia. Em que depois do primeiro ano de pânico, as coisas foram aos poucos voltando ao que era e todo mundo criou novas rotinas dentro do que foi alterado.

Essa brincadeira com a capacidade humana de se adaptar a diferente cenários é muito bem usada pelo autor para te fazer ficar pensando sobre a nossa própria realidade.

Além disso, as críticas sócias continuam com aquele toque sutil e certeiro, apontando o uso do problema para alavancar seus próprios objetivos. A exemplo disso, na obra temos políticos usando a invasão alienígena para ganho próprio.

©Asano Inio/Big Comic Spirits
O maior inimigo da humanidade

Outra coisa sensacional abordada pelo mangá é a forma com a humanidade cria um inimigo em comum para justificar suas ações.

Mesmo que pareça que uma invasão alienígena é algo ruim, em poucos capítulos você percebe que a coisa não é tão séria assim.

Os aliens são bem fracos e não conseguem fazer nada contra as pessoas. Na verdade, a maior parte das baixas acontece por conta da própria humanidade.

Ao derrubar uma nave, várias pessoas perdem suas casas e até morrem por conta do impacto da queda, mas o governo ainda vende a ideia como se fosse um salvamento necessário.

A população do Japão se dividiu em grupos que defendem os direitos dos alienígenas e outros querem o extermínio completo das naves. Tudo isso gera aqueles estranhamentos entre as pessoas e os famosos hates de rede social.

No fim, o mangá deixa claro que o maior inimigo da humanidade naquele ponto é ninguém menos do que a própria humanidade.

Na obra vemos políticos que buscam se alavancar com o combate aos aliens e empresas que criaram uma forma de lucrar com a situação. Esse último chegando ao ponto de controlar o número de mortes de alienígenas para não extinguir totalmente com eles e ter o que enfrentar.

Além de vermos também certos personagens que se sabotam com a desculpa de “o mundo vai acabar mesmo” para não terem que se esforçar.

Todos esses aspectos vão se juntando para formar uma crítica consistente com a maneira como o mundo funciona atualmente e te deixar sempre pensativo.

©Asano Inio/Big Comic Spirits
Sonhos de um futuro melhor

Para não dizer que o autor não tem seu toque depressivo, uma abordagem bem interessante sobre essa sua visão é a forma como os personagens sonham.

Como falei, a Kadode tem um papel chave em demonstrar como a humanidade segue em frente mesmo depois de enfrentar grande problemas, mas isso não quer dizer que tudo sejam flores.

A necessidade que ela tem em passar nas provas para ter um futuro, sendo que ao mesmo tempo a obra está te falando que pode não haver um amanhã para os personagens traz a tona essa crítica.

Você pode se formar na faculdade e ficar desempregado, principalmente na realidade japonesa. O mangá levanta muito bem isso através das ações das garotas, mostrando que aquele sonho enraizado de vida é apenas uma ilusão infantil.

Uma outra personagem do mangá traz uma reflexão parecida. Seu sonho é ir para Tóquio, já que lá é a cidade grande e o futuro dela está garantido, entretanto basta uma aprovação do governo para que Tóquio seja bombardeada e deixe de existir.

Por mais que representados de forma positiva, o autor pontua bem como esses sonhos podem ser facilmente perdidos por conta do acaso ou das ambições de outras pessoas.

©Asano Inio/Big Comic Spirits
Considerações finais

Dead Dead Demon’s Dededede Destruction é sem sombra de dúvidas uma obra que vale a pena ser acompanhada.

A facilidade de acesso que o autor colocou ao trabalhar os personagens de forma mais normal ajuda quem não é muito fã das excentricidades das obras anteriores. O autor, com isso, trouxe também uma abordagem muito clara e inteligente de temas atuais e importantes.

Para quem gosta de obras que te colocam para pensar, vale muito a pena dar um conferida.

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