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Flip Flappers: uma pérola que você devia conhecer

©Studio 3Hz/Oshiyama Kiyotaka/Ayana Yuniko

Em toda temporada de lançamento de animes estreiam pelo menos uns 30 títulos ou mais, totalizando quase 100 animes por ano. Assim, é praticamente impossível que se veja cada um deles. Muitas das vezes tentamos pegar aqueles 4, 5 ou até 10 títulos para acompanhar e tentar ter uma boa experiência. O que acontece é que muitas vezes alguns bons títulos passam despercebidos.

Em uma temporada com Yuri!!! On Ice, Haikyuu, 3-Gatsu no Lion e a segunda temporada de Bungou Stray Dogs, até mesmo um anime excelente pode acabar esquecido. E foi o que provavelmente com Flip Flappers, anime original do na época novato Studio 3Hz.

Sobre a obra
©Studio 3Hz/Oshiyama Kiyotaka/Ayana Yuniko

Flip Flappers, lançado em 2016, é um anime original do Studio 3Hz, nos apresenta a história de Cocona, uma estudante comum com dificuldades para decidir seu futuro quando for para o Ensino Médio.

Em um dia comum, Cocona encontra Papika, uma garota que fugiu de um laboratório estranho e diz querer embarcar em uma aventura para procurar estranhos fragmentos de uma dimensão paralela, chamada de Pure Illusion. Depois de muita relutância, Cocona resolve partir com a garota biruta e, juntas, vão viver as mais estranhas situações possíveis. Como podemos ver, a história parece e é bem simples.

Na obra vemos duas garotas vivendo diversas aventuras em dimensões paralelas procurando objetos que prometem atender desejos. Por mais que a premissa inicial seja como qualquer outro “mahou shoujo” ou “battle shounen” por aí, o que torna Flip Flappes divertido de assistir é a execução.

Sobre a condução

O roteiro é muito bem conduzido, sempre te tentando fazer entender a história completa sem muitos diálogos expositivos. Além de aproveitar também, para deixar alguns momentos de contemplação para os personagens, visto que um dos temas principais da obra é a autodescoberta de Cocona.

Por mais que a história pareça esconder muitos segredos, ao prestarmos atenção a cada um dos detalhes da parte visual da obra, teremos a perfeita noção do que acontece e aconteceu.

A obra também é muito inteligente ao apresentar algumas referências no decorrer dos episódios. Uma das referências, por exemplo, é o nome do coelho de Cocona ser Uexkull, uma referência ao biólogo Jacob Johann von Uexkull (algo que reflete no animal no episódio 2 e caso você entenda o porquê do nome irá entender durante o episódio).

Fora isso, cada um dos episódios tenta fazer alguma homenagem aos vários gêneros de anime que temos por aí, apresentando as mais icônicas referências a várias obras. No episódio 3, por exemplo, vemos uma batalha no melhor estilo battle shounen, fazendo referências óbvias a Dragon Ball Z e Hokuto no Ken. No episódio 8 temos referências a Gurren Lagann e Getter Robo para homenagear o gênero mecha.

E claro, tudo isso se mantém na temática do anime, já que Pure Illusion é um lugar construído pela imaginação.

Direção e produção
©Studio 3Hz/Oshiyama Kiyotaka/Ayana Yuniko

O anime contou com a direção, a roteirização e o storyboard de Oshiyama Kiyotaka, um já experiente character design na indústria, tendo feito trabalho em Devilman Crybaby e FLCL. Em Flip Flappers, Kiyotaka teve seu primeiro trabalho como diretor geral. Já na composição de série, o anime recebeu os cuidados de Ayana Yuniko, muito familiar com animes idol como BanG Dream.

A produção inteira de Flip Flappers dispensa comentários, tanto animação quanto trilha sonora. O Studio 3Hz sempre teve uma ótima qualidade nos poucos trabalhos que fazem. Tendo sido responsável pela adaptação de Dimension W e a produção original Princess Principal, títulos igualmente divertidos.

A animação é impecável durante todo o anime, se mantendo firme até o final, além de apresentar vários “sakuga” no decorrer dos episódios. A animação acompanhada de uma direção hábil que soube lidar com a ideia de várias dimensões e tons distintos, foi  com certeza um diferencial.

A obra vai de um cenário bem caricato e colorido, que deixaria Miyazaki orgulhoso, para uma escola sinistra e assombrada, depois nos levando a um anime mecha. Todas as mudanças de tom nunca parecem fora do lugar, o que surpreende bastante.

Talvez você acabe lembrando um pouco dos animes do estúdio TRIGGER enquanto assiste, pois as técnicas e character designs imaginativos lembram muito os trabalhos do icônico estúdio.

A trilha sonora

Sobre a trilha sonora, ela cumpre muito bem seu papel. São mais de 40 faixas diferentes por todo o anime, além de sua abertura pela cantora ZAQ e os dois encerramentos cantados pela banda TO-MAS junto da cantora Chima. Cada faixa é bem diferente, principalmente os insert songs, dando sempre uma cara nova para as cenas, já que a ideia principal do anime é que tudo seja sempre bem distinto.

Conclusão
©Studio 3Hz/Oshiyama Kiyotaka/Ayana Yuniko

Flip Flappers é uma obra inteligente que apresenta um roteiro que atrai até mesmo quem não quer algo mais profundo. Uma obra divertida do começo ao fim. Além disso, apresenta personagens bem diferentes e carismáticos, fácilmente amados pelo público.

Tudo isso entregue com uma produção que não vai envelhecer tão facilmente.

Por isso, dê uma chance a obra! O anime é uma pérola perdida de 2016 que vale muito a pena e que com certeza merece mais atenção do grande público.

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