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Genêro Mecha voltando? O que tem de bom em 2021?

©Studio Khara/Hideaki Anno

O gênero mecha foi, e ainda é, um dos mais influentes e importantes gêneros dentro da cultura otaku japonesa. Desde muito tempo, mechas foram uma forma narrativa de representar a sociedade da época, refletindo os problemas enfrentados pela população em sua trama e personagens. Gurren Lagann foi, provavelmente, o último grande título dentro do gênero, alcançando fama mundial e sendo um de seus maiores ícones.

Mas mesmo que tenhamos visto uma certa calmaria na popularidade das obras com robôs gigantes, o ano de 2021 se tornou um ano recheado de bons títulos que conseguiram atrair bem o olhar do público e criar novos fãs.

E é por isso que hoje, abordaremos os melhores títulos mecha que tornaram esse ano especial.

Evangelion 3.0+1.0: Thrice Upon a Time
©Studio Khara/Hideaki Anno

Comecemos então com o mais importante título desse ano, Evangelion: Thrice Upon a Time.

O título encerrou uma das histórias mais marcantes do gênero, começada 26 anos atrás, fechando uma saga de vida, tanto dos fãs, quanto de Hideaki Anno. O último e tão aguardado filme da quadrilogia de Rebuild of Eva, após grandes contratempos e atrasos, finalmente saiu e o resultado não pôde ser mais surpreendente.

Thrice conseguiu, tanto reter as mensagens finais de seu original — sobre aceitação, superação e escapismo — quanto mostrar algo novo e visualmente impressionante (talvez mais que The End of Eva).

Anno utiliza de todo o tipo de técnica de animação para esse filme, até mesmo rotoscopia, o que fez com que o resultado maravilhasse até mesmo o mais leigo no quesito técnico de animação.

Por isso, se você ouviu tanto falar de Eva 3.0+1.0, não fique aí esperando, entre de cabeça na franquia pois é uma obra essencial e que com certeza, vai comunicar muito com você, principalmente esse último filme.

Back Arrow
©Studio VOLN/Goro Taniguchi/Kazuki Nakashima

Agora, passando para uma das maiores pérolas desse ano, uma mistura que não poderia ter dado mais certo entre Taniguchi Gorou — criador e diretor de Code Geass — e Nakashima Kazuki — roteirista dos maiores sucessos da TRIGGER, como Gurren Lagann. Estamos falando de um título criativo e que não tem medo de ser diferente, Back Arrow.

O tipo de anime que passa muito aquele feeling “coisa de otaku” quando se vê as imagens. Aquele tipo de coisa que é claramente diferente.

Pois bem, Back Arrow é exatamente esse tipo de maluquice onde seus criadores não se seguram em momento nenhum, deixando a criatividade quase aleatória tomar conta da tela.

Existem boas semelhanças com os trabalhos principais da TRIGGER e Gainax que Kazuki trabalhou. A obra não tenta esconder seus “genes textuais”, sempre com uma ou outra referência e, principalmente, seu final sendo um espelho de Gurren Lagann.

Acompanhando seu roteiro maluco, carismático e bem pensado, a produção de Back Arrow também não fica atrás. Sua animação é consistente, com CGs bem feitos nos mechas, mesmo que bem destacados, e seu elenco incrível, tendo Yuki Kaji e Sugita Tomokazu dando as vozes aos protagonistas.

Caso esteja querendo algo divertido, despretensioso e até diferente, Back Arrow não ira decepcionar.

SSSS. Dynazenon
©TRIGGER/Akira Amemiya/Keiichi Hasegawa

Aproveitando a citação do estúdio TRIGGER acima, trataremos de um mecha que foi diretamente feito por eles. Sequência do enorme sucesso do ano passado, Gridman, ressurreição do tokusatu de mesmo nome dos anos 90, estamos falando da obra SSSS. Dynazenon.

Contando com a mesma staff de Gridman, Dyna consegue escalar sua qualidade da mesma forma, moldando sua história para algo que complementa, e muito, a experiência com seu antecessor, conseguindo, ainda sim, ser autossuficiente. Sim, você não precisa necessariamente ter visto Gridman para apreciar Dyna, mas fazer esse caminho melhora bastante ambas as obras.

Diferente da séria passada, Dyna tenta moldar “o caminho” e desenvolvimento de todo seu elenco enquanto aborda o principal tema da série: crescimento e desprendimento do passado (oposto a Gridman que focava em construir o final apoteótico, pelo foco narrativo em uma personagem só).

Por isso, se você já viu Gridman e gostaria de mais, Dynazenon pode ser tão, ou mais, incrível ainda. E, bem, por ser um anime da TRIGGER, é algo obrigatório.

Getter Robo Arc
©Bee Media/Go Nagai e Ken Ishikawa

Com mais uma ressurreição diretamente de Lugar Nenhum e que ninguém esperava, a adaptação do penúltimo arco da saga Getter Robo, iniciada pelo mestre Go Nagai e continuada pelo falecido Ken Ishikawa, Getter Robo Arc.

Como dito, Arc é um dos arcos finais e o mais famoso da série, tendo sido adaptado agora, depois de muitos anos desde que foi feito. É bom avisar que para que você possa experienciar de verdade a obra, é necessário que você veja seus demais arcos — Getter Robo, G, GO.

Caso você já conheça os mangás e ainda não conferiu, recomendo que assista a essa adaptação.

Um clássico dos mechas retornar com uma equipe querendo cuidar da série e fazer jus a franquia é, praticamente, um milagre. E, embora não tenha uma animação esplendorosa, ela muito falha em alguns momentos, o charme e o carinho da equipe ganham muito destaque.

O design de personagem e dos mechas manteve todo o estilo excêntrico de Ishikawa, com todas as caras e bocas necessárias. Já o CG da série não faz um trabalho ruim, os modelos são bem polidos e se movimentam bem.

Definitivamente um clássico que merece ser visto e conhecido.

Mobile Suit Gundam: Hathaway’s Flash
©Sunrise/Hajime Yatate e Yoshiyuki Tomino

Por fim, mais uma adaptação que, de forma alguma poderia ter sido prevista. Mais uma sequência do imortal Universal Century de Gundam, Hathaway’s Flash, trilogia de filmes inspirada na light novel de 1990 do lendário Yoshiyuki Tomino.

Por hora, foi lançado mundialmente apenas o primeiro filme, disponível na Netflix, juntamente de outros pontos importantes do UC para que o espectador tenha a melhor experiência.

Hathaway’s Flash é, provavelmente, o título mais impressionante dessa lista, tanto em produção de peso, quanto pela sua importância. Sua novel tem muito valor, tendo feito muito sucesso na época em que foi lançada, e não havia sido adaptada até agora.

Como todo bom Gundam, Hathaway ainda fala muito sobre guerra e seus pesares, mas dessa vez invertendo os lados e nos mostrando o ponto de vista de alguém que não está, necessariamente, do lado certo.

A produção aqui também está impecável, posso dizer que do mesmo nível das maiores produções da franquia como: Iron Blooded Orphans, Unicorn e Build. Destacam-se também o seu elenco de seiyuus, com: Reina Ueda, Suwabe Junichi e Kensho Ono dando voz aos três protagonistas.

Se você já é familiarizado com a franquia, não deixe de assistir Hathaway’s Flash. E caso você ainda não conhece e se interesse pela franquia, a Netflix possui seus títulos mais importantes para que você entre agora mesmo de cabeça no enorme campo de batalha que é Gundam.

Considerações finais

2021 foi um ano recheado de obras do gênero mecha. Um gênero que andava meio morto nos últimos tempos.

Por mais que a maioria dos títulos ainda sejam continuações de grandes franquias, ainda servem para mostrar que o gênero não está realmente a deriva. Podemos ver que grandes coisas ainda podem surgir, principalmente pela grande raiz que o gênero possui na cultura japonesa.

Afinal, se já tivemos até mesmo um isekai com mecha, porque não vermos mais obras do gênero? Back Arrow e Dynazenon são ótimos exemplos de como o gênero ainda pode gerar ainda mais frutos.

Espero que tenham gostado do texto de hoje! Até a próxima.

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