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Kaguya-sama: o que fez o anime ser tão especial

©A-1 Pictures/Omata Shinichi/Akasaka Aka

Uma coisa que normalmente é difícil de acontecer no meio otaku é animes de romance ou comédia romântica ficarem “main stream”, ou seja, terem uma popularidade que dure muito além de sua estréia.

Esse já foi o caso de Toradora, Gotoubun no Hanayome e, claro, do nosso foco de hoje, Kaguya-sama wa Kokurasetai. Hoje, vamos falar um pouco sobre o que deixou esse anime tão popular e quais são essas qualidades.

Sobre sua história
©A-1 Pictures/Omata Shinichi/Akasaka Aka

Uma das coisas que mais chama bastante atenção no anime é a sua premissa bem diferente, mas também bem pontual para comédia. E é esse conjunto que faz com que a obra se destaque no meio de outros títulos que são slice of life mais simples.

A narrativa gira em torno do dia-a-dia de Kaguya Shinomiya e Miyuki Shirogane, membros do conselho estudantil da escola Shuchiin. Ambos são gênios, estudantes perfeitos e muito respeitados por fora. Entretanto, entre quatro paredes, lutam para ver quem fará o outro confessar seu amor primeiro para defender seu orgulho.

O maior diferencial dentro dessa premissa é justamente que ambos já nutrem algum sentimento pelo outro. As brincadeiras que o autor faz com as responsabilidades de um conselho estudantil de elite e as confusões de corações adolescentes, são hilariantes.

Porém, a história não se prende apenas nisso. Vemos a evolução de ambos os protagonistas e seus sentimentos desenvolvendo novos conflitos que surgem dessa relação, abordando até mesmo o interesse sexual deles

Desse modo, a presença de um desenvolvimento natural e uma abordagem madura, mesmo que cômica, fazem com que todos os arcos de Kaguya-sama tenham algo de especial.

Sobre sua direção
©A-1 Pictures/Omata Shinichi/Akasaka Aka

Como estamos falando do anime aqui, claro que não podemos deixar de fora um tópico sobre sua incrível direção.

Omata Shinichi foi quase um discípulo do mestre Akiyuki Shinbou, diretor chefe do estúdio SHAFT, realizando muitos trabalhos como storyboarder e diretor de episodio. Esteve presente em obras como Madoka Magica, Arakawa Under the Bridge e Denpa Onna to Seishun Otoko.

Assim, aplicando as técnicas aprendidas pela influência de Shinbou, colocando até referências diretas aos trabalhos da SHAFT como Monogatari, acabou dando um toque especial que Kaguya-sama precisava.

É impossível replicar os trejeitos de um autor de mangá em sua adaptação para anime, então, ao invés de tentar replicar o que já era feito nas páginas, Omata opta por dar um charme único e diferenciado na tela.

Temos quadros fazendo analogias aos planos mirabolantes dos protagonistas, em que vemos: mudanças fortes de cores; foco no brilho nos olhos quando as mentes de gênio estão trabalhando. E tudo isso, faz com que o anime pareça diferente e mais original para o público.

Sobre seus personagens
©A-1 Pictures/Omata Shinichi/Akasaka Aka

Para finalizar, não podemos deixar de falar do mais importante ponto do anime, que carrega todo o resto junto da direção: seus personagens.

Todos, talvez com um pouco de exceção a Chika, tem problemas e pensamentos bem críveis, escritos de forma bem madura por parte de Akasaka.

Os dramas do Ishigami, Hayasaka, as indecisões da Miko, tudo isso sempre é apresentado de forma muito convincente e natural.

Mesmo que isso faça o anime e o mangá saiam da comédia, que é um foco primário, não perde o gosto da leitura. Na verdade, torna a leitura mais interessante e única.

Poucos são os mangás de romance preocupados em fazer seus coadjuvantes serem pessoas reais e trabalharem seus problemas. Além disso, também são poucos os que tentam explorar a intimidade de seus protagonistas.

E é fazendo tudo isso, junto de uma direção muito hábil em sua adaptação, que torna Kaguya-sama uma história quase obrigatória para quem gosta de um bom “romcom” ou para quem apenas quer algo muito bem feito e gostoso de acompanhar.

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