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Lord El-Melloi II Case Files: conheça Gray, a Coveira

©TROYCA/Makoto Sanda

Em algum momento de nossas vidas começamos a nos questionar “Quem eu sou?” “Qual o meu propósito?” “O que eu quero para o futuro?”. São questões de cunho filosófico que todos nós temos dentro de nós mesmos. Muitas das vezes, essas perguntas surgem em momentos de mudança. Mas e se o seu “ser” e futuro tentassem ser escritos por outra pessoa? E se você não fosse realmente você? O que faria? Aceitaria isso e fim? Claro que não.

Aceitar isso seria o equivalente a perder completamente o último resquício de identidade que te resta. E foi essa a resposta de Gray, a coveira encontrada e resgatada por Waver Velvet, o Lord El-Melloi II.

Hoje, vamos conversar um pouco mais sobre essa tão misteriosa personagem de capuz.

Sua história
©TROYCA/Makoto Sanda

A história de Gray começa antes do que vemos na história contada no anime e na light novel, sendo relembrada por ela em vários flashbacks no decorrer da obra. Um passado traumático em uma vila soturna e isolada.

Nessa vila isolada ao sul da Grã-Bretanha, seu povo tentou realizar um ritual perigoso para trazer o Rei Arthur de volta a vida. Com o auxílio daquela bruxa, eles foram capazes de criar receptáculos para a mente e alma do espiríto. E a escolhida para ser seu corpo, aquela iria comportar a alma, foi uma simples garotinha de uma família de magos.

Por conta disso, ela foi lenta e dolorosamente sendo mudada para a “forma do rei”, perdendo por último, seu rosto. Ela já não era mais a mesma pessoa. Tendo recebido de presente o recipiente da lança sagrada do rei, começou o trabalho de coveira na vila, limpando todos os espíritos vagantes e malignos de lá, garantindo, a eles, descanso.

Até que por fim, chegou a vila um homem vindo de Londres, buscando resolver as anomalias que ali aconteciam. Esse foi o primeiro encontro entre El-Melloi II e sua futura nova aprendiz, quem ele aceitou por quem ela era e não por quem ela se parecia. Nossa personagem de hoje, Gray.

A personagem
©TROYCA/Makoto Sanda

Desde a primeira página da história, vemos a partir dos primeiros monólogos de Gray que ela é mais uma das inúmeras heroínas trágicas que a TYPE-MOON tanto ama nos entregar.

A protagonista de Case Files of Lord El-Melloi II, novel escrita por Makoto Sanda, narra sua história em primeira pessoa, o que nos possibilita ver em quase todos os volumes os seus pensamentos. Assim, vemos como esses pensamentos não são nada amigáveis sobre seu passado, ela sempre se lembra da dor excruciante que sua “mudança” lhe causou.

Então o papel de Gray é a de protagonista da obra, mas qual exatamente é a mensagem por trás da personagem?

Bem, como dito, estamos quase o tempo todo na cabeça da jovem, sendo capazes de compreender sua visão de mundo e como enxerga seus companheiros de classe — Flat, Svin, Luvia e Reines — e seu professor, Waver. Estamos constantemente vendo como ela tenta buscar um lugar para si, já que o próprio El-Melloi II a salvou. Um dos maiores laços entre ela e seu professor é justamente por conta de seu rosto.

A garota é detentora de um dos mais famosos “tropes” ou marcas registradas, a famosa “SaberFace”. Normalmente, as personagens com o design similar a Artoria Pendragon de Fate/Stay Night são assim por motivos de marketing ou piada, pouquíssimas tendo algum tipo de motivo para tal coisa. Mas a Gray é justamente uma dessas com um ótimo motivo e uso.

Autoidentidade e a mensagem de Gray

Seu professor, Waver, odeia seu rosto por traumas pessoais sofridos na Guerra do Graal que participou. Mas isso é o maior laço entre os dois? Ódio? Pena? Para Gray, seu professor ter a escolhido mesmo com esse rosto é um sinal de que ele não a quer como aprendiz por algo superficial como o seu rosto, mas sim por quem ela realmente é.

Algo bastante retratado na obra é como ela tenta de tudo para que os seus companheiros a reconheçam pelos seus méritos e por quem ela quer ser, não por ser uma herdeira da alma do Rei Arthur. A profundidade nos temas que ela consegue passar sobre “identidade” e “papéis pré-definidos” — podemos falar também de “destino” — são impressionantes, ainda mais vendo seu crescimento durante a obra e seus confrontos com sua principal antagonista, a falsa Serva do Dr. Heartless, Faker.

Essa familiar artificial criada na história faz um contraponto muito interessante com a protagonista mesmo estando, basicamente, na mesma posição. Ambas perderam suas reais faces e assumiram postos pré-definidos por outras pessoas. Mas a diferença é que Faker buscou reconhecimento nesse papel falso, já Gray busca queimar esse papel e ter o próprio reconhecimento.

E você, caro leitor, você sabe em que caminho você está? Sabe se ele foi escolhido por você ou se ele tem o seu próprio nome. Isso é algo que todos buscam uma resposta em algum momento e, também, se o confrontamos ou não.

Habilidades
©TROYCA/Makoto Sanda

Claro que se tratando de uma protagonista da TYPE-MOON, não podíamos deixar de falar um pouquinho sobre as habilidades especiais e poderes que a Gray possui.

Como ela foi criada para ser um recipiente da alma do Rei Arthur — Artoria Pendragon —, seu corpo sofreu as devidas mudanças para conseguir receber a alma lendária, garantindo a garota capacidades físicas muito além das que um simples humano alcançaria sozinho, sendo possível somente com magia. A força e a agilidade física de Gray são suficientes pra enfrentar a Serva Faker, mesmo que ela não seja de fato um Espírito Heroico de verdade, como os apresentados na série Fate, mas ainda sim é um feito incrível.

Mas não só suas capacidades físicas que impressionam, Gray luta usando seu Mystic Code — objetos que ajudam os magos em suas magias, tendo propriedades especiais —, chamado de Add. Um cubo de poucos centímetros criado por Morgan le Fay com a personalidade baseada em Sir Kay, irmão de criação do Rei Arthur.

Add, sarcástico e carismático, funciona moldando a sua forma para as várias armas que Gray poderá manusear em combate, sendo a grande foice a marca registrada da personagem. O real propósito de Add é selar, preservar e liberar a lendária lança sagrada das lendas do Rei, aquela que matou o temido Vortigern, Rhongomyniad, que também vemos nas séries de Fate.

Entretanto, Gray ainda não pode usar todo o poder da lança, só que seu poder como “Noble Phantasm” consegue se provar muito poderoso, sendo sempre a cartada final da garota em lutas que sejam complicadas demais.

Considerações finais
©Type-Moon Books/Makoto Sanda/Sakamoto Mineji

Gray é uma excelente personagem e particulamente me deixa muito feliz que ela tenha ganhado um pouco mais de visibilidade por conta do anime de Case Files que saiu há alguns anos atrás.

Uma personagem que tem muito a dizer sobre identidade, deveres, esforço e, principalmente, lutar para ser a melhor versão de si mesmo. Não somente de fofura vive nossa coveira, mas também de muito esforço em ser reconhecida e amada.

Espero que esse texto tenha servido para chamar a atenção de quem quiser dar uma chance à personagem e sua obra, além de, claro, retratar aqui o quanto eu a adoro.

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