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Shuumatsu no Valkyrie: mais do que apenas um Ragnarok

©Coamix/Monthly Comic Zenon/Shinya Umemura, Takumi Fukui, Ajichika

Nos últimos meses, mais ou menos de junho para cá, Shuumatsu no Valkyrie, também conhecido como Shuumatsu no Walkure ou Record of Ragnarok, teve um crescimento absurdo de popularidade. Esse aumento na popularidade levou a obra a ganhar até mesmo um anime financiado pela Netflix e sua publicação brasileira pela NewPop.

O mangá é bastante popular entre aqueles que curtem uma boa história que abordem lutas e torneios, trazendo uma estética bonita e uma premissa chamativa. Mas o que realmente vendeu Shuumatsu ao grande público foi a qualidade de suas lutas.

E é exatamente sobre isso que iremos tratar hoje

Sobre a obra

A história escrita por Shinya Umemura e Takumi Fukui gira em torno do emblemático e mitológico Ragnarok, mas claro, não de um jeito tradicional como aquele estamos acostumados da mitologia nórdica. Na obra, a cada mil anos os deuses julgam se a humanidade é digna ou não de continuar a existir pelo próximo milênio.

Quando chegam no ano 3000, os deuses decidem que é hora de iniciar o apocalipse, até que a Valquíria Brynhildr intervém e propõe o Ragnarok, um torneio entre 13 deuses, de diferentes mitologias, e 13 figuras históricas. O lado que conquistar 7 vitórias decidirá acerca do futuro da humanidade.

Assim, desde o primeiro capítulo nós temos a noção de que Shuumatsu não tem pretensão alguma. Apostando justamente na honestidade com que a obra aborda os seus personagens e premissa caricatos.

A ideia é pura e simples: fazer um torneio entre figuras históricas de diferentes partes do mundo, com suas diferentes e imaginativas habilidades (bem inspirado na franquia Fate nesse ponto), em que os deuses também não são apoiados em nenhum arquétipo que já estamos acostumados. Nada de um Thor heroico ou um Zeus super sucinto.

Temos um Thor “edgy”, sério e mortal, um Zeus de parafuso a menos e por aí vai. E junto desse elenco carismático, entra a parte que realmente importa da obra e é seu chamariz principal: as lutas e toda sua composição.

Sobre a composição da obra
©Coamix/Monthly Comic Zenon/Shinya Umemura, Takumi Fukui, Ajichika

Nem só de boa “porrada” e poderes originais se vive uma boa luta. Para um mangá, o que mais importa nelas é a quadrinização realizada na coreografia e, claro, suas analogias visuais que aumentam, e muito, todo o dinamismo que ele precisa.

Todas as lutas possuem essa mesma qualidade, dificilmente decaindo em algum lugar, sempre tentando o máximo possível potencializar a emoção empregada no texto.

Ajichika, o artista responsável por desenhar o mangá, soube realizar cenas de luta tão boas quanto outros grandes autores da indústria como Kentaro Miura ou Murata Yuusuke, os mestres responsáveis por Berserk e One Punch Man, respectivamente.

A composição visual da série é feita utilizando todo o espaço da página, apresentando quadros maiores e muitas páginas duplas ou retratos inteiros. Essa composição nos dá uma sensação palpável da grandeza e da presença dos personagens em tela, afinal, estamos falando de figuras históricas conhecidas e deuses mitológicos, precisamos sentir o quão impactantes eles realmente são.

Além disso, Ajichika soube fazer um excelente uso da violência gráfica do mangá. Por ter classificação indicativa de seinen, Shuumatsu conta com bastante cenas mais pesadas feitas para corroborar com a tensão das lutas. Guerreiros perdem membros, cabeças rolam, mas nada se torna gratuito ou fora do lugar, pelo contrário, isso te faz se sentir mais engajado nos capítulos.

Entretanto, as lutas de Shuumatsu não se sustentam apenas em quadros de beleza e boa dinâmica. Os quadros corroboram para o que o texto das lutas nos traga a verdadeira emoção.

Narrativa épica e significado
©Coamix/Monthly Comic Zenon/Shinya Umemura, Takumi Fukui, Ajichika

Por mais que Shuumatsu seja um mangá de torneio em que o que queremos ver é um confronto bem feito e a originalidade dos personagens, sua narrativa não foi deixada de lado.

O uso entrecortado da narrativa principal com os “contos”, por assim dizer, dos personagens em confronto é muito bem feita. Essa abordagem permite os flashbacks não se tornem chatos ou desinteressantes, mas que aumentem o “hype” do combate, fazendo a aproximação daqueles personagens ser ainda mais interessante, como foi o que ocorreu no confronto entre Buda e Zerofuku.

Além disso, as lutas trazem dentro de si temas claros e definidos, representando os ideais e as concepções daqueles personagens que estão em destaque.

Vários temas são abordados pela obra como sempre superar seus limites, já que nunca paramos de evoluir, como Lu Bu vs Thor; trabalho duro em busca da vitória, como Sasaki vs Poseidon; ou até mesmo o bem e o mau serem lados inseparáveis dentro de cada ser humano, como em Jack vs Hércules.

Claro, não são temas super abordados ou que foram aprofundados, mas funcionaram tanto de combustível para os personagens quanto como objetivo para aquelas lutas. E claro, apresentar aquela grande ideia de ser apenas um torneio.

Conclusão
©Coamix/Monthly Comic Zenon/Shinya Umemura, Takumi Fukui, Ajichika

Shuumatsu no Valkyrie, ou Record of Ragnarok, é com certeza um dos mangás mais divertidos que eu tive o prazer de poder ler esse ano.

Lutas incríveis, personagens carismáticos e uma premissa que chama atenção de qualquer um, além de possuir uma narrativa escrita de forma consistente. Todos esses elementos fazem com que Shuumatsu seja um dos melhores mangás de torneio que temos atualmente e, conforme sua história avança, mais épico se torna.

Uma obra divertida e que com certeza vale a pena conferir.

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